olho do furacão constante
lugar do mundo de massiva concentração de correntes de ar a toda velocidade para todos os lados, um vendaval horrendo está sempre acontecendo mas tem uma vila humana bem no meio, é mais uma dessas ilhas estranhas do tipo atlântida, onde tudo sempre está destruído ou afogado há mais de cem mil anos ou até mesmo a ilha na guatemala onde a lava é tanta, mas tanta que eles são obrigados a suportar a dor e a mutilação e enfrentar com bravura e pose a sensação horrível de autoderretimento e morte em poucos segundos de vida.
a linguagem atravanca o pensamento, só o trabalho de formular uma frase que represente toda aquela constatação que a mente ficou elaborando durante três árduos nano segundos de pisca alerta geral entre os neurônios já faz com que todo o trabalhoso caminho percorrido pelos impulsos seja completamente posto de lado só porque agora é necessário lembrar das malditas palavras e seus significados abstratos, adequá-las ao quadro situacional contextual tempo-espacial que precisa ser exposto (aquele pontinho no gráfico SxT e toda a história que conta o enunciado da questão na prova) e ordená-las de forma compreensível segundo as regras impostas socialmente, inclusive agora por oscar niemeyer, que volta e meia aparece na academia brasileira pra tomar chá, falar e caminhar de uma forma muito, muito, muito velha.
bom, o que eu queria dizer é que enquanto se fica calculando o nexo causal da coisa toda só pra quem quer que seja ficar sabendo, o fio da meada já se perdeu e o train of thought, como diria aquele disco tri ruim do dream theater, passa por você a milhão na plataforma e agora o máximo que pode acontecer é você ser mulher, o vento do trem passando levantar o seu vestido e ficar uma coisa sexy, assim.
uma vez eu tive a impressão de ter atropelado um et, tava meio escuro e do nada apareceu um vulto magrinho, cabeçudo e olhudo na estrada e se foi parachoque abaixo, o carro deu uns solavancos até de quem passa por cima de alguma coisa mas eu fui ver e era só um cara.
aqui está uma lista de cinco músicas que você nunca vai ouvir num carro
my balls – take my pants and work with ‘em!
never play lose – i win everything
plaster caster – gene simmons on my mind
bleed tomorrow – the shadow of menarch
e nigga - i can’t believe you stole my bike!
- and you better not show up your ass on my pumpkin field anymore, you god damn tiny white cute little rabbit!
há uns cinco anos atrás eu estava completamente sem dinheiro, minha mãe me mandava uns trocos e alguma coisa pra comer pelo sedex, meu pai era pescador em cacimbinhas e sempre enviava o melhor peixe da pescaria do dia, a encomenda chegava três dias depois do envio, o carteiro do bairro sempre vinha entregar o meu pacote primeiro porque putamerda, era uma bomba de mau cheiro o negócio, ele batia na minha porta, deixava no chão e saía correndo, eu abria pra ver quem era e encontrava uma caixa meio molhada e cheirando a meu deus, o que é isso? um dinheiro todo molhado, um peixe podre, mas quem foi o filho da ah sim, minha mãe.
que saco essas mulheres que ficam se fazendo de ai, vou por mirror cracking material no orkut, gente, eu tô muito feia, gente! do tipo na 5a série, a menina ai, o meu desenho ficou horrível, aí chega o gurizinho bobo, sem malícia e sem hormônios e diz não, capaz, tá tri bonito, ai, tu acha? não sei..
quer elogio, vou te dar elogio então, sua vaca dissimulada, fica sabendo aí que eu tô te imaginando pelada agora, éé´´eé´, tá sem roupa mesmo e digo mais, tu NÃO TÁ DE PÉ NÃO sua cadela.
final de expediente é sempre a mesma coisa, eu termino meia hora sentado sem fazer nada, tomando água morna de torneira porque a do galão sempre acaba antes e descendo pra fumar um cigarro, sempre que eu desço com aquele copo de água morna e um derby azul quase quebrado preso na boca eu penso po, podia estar, sei lá, aparando a grama da minha casa que eu não podo há uns seis meses, esses dias vi uma cobra lá, passei bem devagarinho pra ela não se ouriçar mas quando vi ela já estava fazendo barulho de chocalho, eu larguei correndo, também, minha mulher não serve pra nada, ela fica lá dizendo que tem que comprar isso, tem que consertar aquilo, ontem um rato saiu da gaveta dos meus sapatos, vou voltar pra casa da minha mãe, seu filho vai dar um baita fresco desse jeito, no meio daquele mundo de lenços, aquela coriza que nunca pára, às vezes eu tento fingir que meu casamento é feliz e vou dar um beijo nela dizendo tchau querida, espero que o almoço esteja pronto quando eu chegar, mas ela espirra em mim quando eu chego perto, sinceramente estou começando a pensar que a alergia é a mim, depois de tantos anos e tantos mau cheiros ela começou a reclamar do meu perfume, mas dane-se, tô aqui embaixo fumando meu derby e curtindo um gostinho de cano velho bem tranqüilo, ela que vá brincar de indiana jones e enfrentar os texugos do quintal se ela quiser.

