a linguagem atravanca o pensamento, só o trabalho de formular uma frase que represente toda aquela constatação que a mente ficou elaborando durante três árduos nano segundos de pisca alerta geral entre os neurônios já faz com que todo o trabalhoso caminho percorrido pelos impulsos seja completamente posto de lado só porque agora é necessário lembrar das malditas palavras e seus significados abstratos, adequá-las ao quadro situacional contextual tempo-espacial que precisa ser exposto (aquele pontinho no gráfico SxT e toda a história que conta o enunciado da questão na prova) e ordená-las de forma compreensível segundo as regras impostas socialmente, inclusive agora por oscar niemeyer, que volta e meia aparece na academia brasileira pra tomar chá, falar e caminhar de uma forma muito, muito, muito velha.
bom, o que eu queria dizer é que enquanto se fica calculando o nexo causal da coisa toda só pra quem quer que seja ficar sabendo, o fio da meada já se perdeu e o train of thought, como diria aquele disco tri ruim do dream theater, passa por você a milhão na plataforma e agora o máximo que pode acontecer é você ser mulher, o vento do trem passando levantar o seu vestido e ficar uma coisa sexy, assim.
aqui está uma lista de cinco músicas que você nunca vai ouvir num carro
my balls – take my pants and work with ‘em!
never play lose – i win everything
plaster caster – gene simmons on my mind
bleed tomorrow – the shadow of menarch
e nigga - i can’t believe you stole my bike!
não sou de pensar que amor não faz feliz
eu gosto de acreditar
e fingir que o teu sorriso é só de mim
e querer que a vida então não tenha mais fim
e pedir-te por favor, não faz assim
porque senão eu vou acabar de ser feliz
- bom, o nome da nossa banda é ‘não sei se isso é plágio’. a gente compõe umas músicas e de repente chega uma hora que um olha pra cara do outro e pergunta “mas isso não é plágio?”
o show da não sei se isso é plágio começava sempre assim em todas as garagens e palquinhos e festinhas por aí. eles eram um grupo de adolescentes que tocavam uma bossa nova, bem sambinha, era quase um samba rock (sem produção nenhuma, não clube do balanço, mas dançável assim, só na violinha), e ficavam uns casais dançando em volta, era bem animado. eles tocando aquela bossa alegre, meio triste, vocês sabem do que o maestro falava.
a singela homenagem
a singela homenagem é como quando o baden powell conta uma história dele com o vinicius no seu especial na tve e toca samba em prelúdio fazendo uma pequena referência na letra ao final da canção.
“sem você, meu amor, eu não sou ninguém
sem você, meu poeta, eu não sou ninguém
sem você, vinicius, eu não sou ninguém
ah, ninguém”
só um pequeno gesto que quer dizer muita coisa.