- and you better not show up your ass on my pumpkin field anymore, you god damn tiny white cute little rabbit!
há uns cinco anos atrás eu estava completamente sem dinheiro, minha mãe me mandava uns trocos e alguma coisa pra comer pelo sedex, meu pai era pescador em cacimbinhas e sempre enviava o melhor peixe da pescaria do dia, a encomenda chegava três dias depois do envio, o carteiro do bairro sempre vinha entregar o meu pacote primeiro porque putamerda, era uma bomba de mau cheiro o negócio, ele batia na minha porta, deixava no chão e saía correndo, eu abria pra ver quem era e encontrava uma caixa meio molhada e cheirando a meu deus, o que é isso? um dinheiro todo molhado, um peixe podre, mas quem foi o filho da ah sim, minha mãe.
que saco essas mulheres que ficam se fazendo de ai, vou por mirror cracking material no orkut, gente, eu tô muito feia, gente! do tipo na 5a série, a menina ai, o meu desenho ficou horrível, aí chega o gurizinho bobo, sem malícia e sem hormônios e diz não, capaz, tá tri bonito, ai, tu acha? não sei..
quer elogio, vou te dar elogio então, sua vaca dissimulada, fica sabendo aí que eu tô te imaginando pelada agora, éé´´eé´, tá sem roupa mesmo e digo mais, tu NÃO TÁ DE PÉ NÃO sua cadela.
final de expediente é sempre a mesma coisa, eu termino meia hora sentado sem fazer nada, tomando água morna de torneira porque a do galão sempre acaba antes e descendo pra fumar um cigarro, sempre que eu desço com aquele copo de água morna e um derby azul quase quebrado preso na boca eu penso po, podia estar, sei lá, aparando a grama da minha casa que eu não podo há uns seis meses, esses dias vi uma cobra lá, passei bem devagarinho pra ela não se ouriçar mas quando vi ela já estava fazendo barulho de chocalho, eu larguei correndo, também, minha mulher não serve pra nada, ela fica lá dizendo que tem que comprar isso, tem que consertar aquilo, ontem um rato saiu da gaveta dos meus sapatos, vou voltar pra casa da minha mãe, seu filho vai dar um baita fresco desse jeito, no meio daquele mundo de lenços, aquela coriza que nunca pára, às vezes eu tento fingir que meu casamento é feliz e vou dar um beijo nela dizendo tchau querida, espero que o almoço esteja pronto quando eu chegar, mas ela espirra em mim quando eu chego perto, sinceramente estou começando a pensar que a alergia é a mim, depois de tantos anos e tantos mau cheiros ela começou a reclamar do meu perfume, mas dane-se, tô aqui embaixo fumando meu derby e curtindo um gostinho de cano velho bem tranqüilo, ela que vá brincar de indiana jones e enfrentar os texugos do quintal se ela quiser.
não sou de pensar que amor não faz feliz
eu gosto de acreditar
e fingir que o teu sorriso é só de mim
e querer que a vida então não tenha mais fim
e pedir-te por favor, não faz assim
porque senão eu vou acabar de ser feliz
- bom, o nome da nossa banda é ‘não sei se isso é plágio’. a gente compõe umas músicas e de repente chega uma hora que um olha pra cara do outro e pergunta “mas isso não é plágio?”
o show da não sei se isso é plágio começava sempre assim em todas as garagens e palquinhos e festinhas por aí. eles eram um grupo de adolescentes que tocavam uma bossa nova, bem sambinha, era quase um samba rock (sem produção nenhuma, não clube do balanço, mas dançável assim, só na violinha), e ficavam uns casais dançando em volta, era bem animado. eles tocando aquela bossa alegre, meio triste, vocês sabem do que o maestro falava.
eu tenho medo de passar a vida com a impressão de que o meu passado foi com certeza bem pior do que o presente ou o futuro.
tenho medo de me apressar pro futuro chegar logo e tudo melhorar, e acabar passando a vida inteira assim.
eu tenho medo do meu futuro. especialmente se eu descobrir que ele com certeza não será melhor que o meu passado.
a singela homenagem
a singela homenagem é como quando o baden powell conta uma história dele com o vinicius no seu especial na tve e toca samba em prelúdio fazendo uma pequena referência na letra ao final da canção.
“sem você, meu amor, eu não sou ninguém
sem você, meu poeta, eu não sou ninguém
sem você, vinicius, eu não sou ninguém
ah, ninguém”
só um pequeno gesto que quer dizer muita coisa.
